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da revista italiana "Elle Decor", de junho de 2001 |
Irmãos Campana Uma pequena biografia. Nesta página, você vai conhecer um pouco sobre estes dois brotenses de coração: Humberto e Fernando Campana. Os dois irmãos são hoje conhecidos em todos os lugares do mundo por suas inigualáveis qualidades numa arte extremamente técnica e sofisticada: o design de arte, mas que eles inovam cada vez mais, maravilhando a todos com sua simplicidade e com a utilização de materiais comuns, encontrados em todos os lugares. Seu pai, já falecido, o Dr. Alberto Campana, nasceu em Jau, SP, e depois de formado em Engenharia
Agronômica, radicou-se em Brotas, onde trabalhou por muitos anos na Casa da
Lavoura, a qual hoje tem o seu nome. Os dois viveram sua infância e adolescência em Brotas. Já formados, foram para São Paulo, onde iniciaram sua carreira artística. Nestes quase 20 anos, viajaram pelo mundo todo, fazendo
exposições pessoais e coletivas, workshops, palestras, cursos, ganharam inúmeros prêmios, tem suas
obras expostas nos principais museus do mundo e são hoje, sem dúvida nenhuma, reconhecidos
pela crítica especializada, como designers de maior criatividade deste início do século XXI.
- HUMBERTO CAMPANA
Educação
Experiência Profissional
- FERNANDO CAMPANA
Educação
Experiência Profissional
Principais Palestras Internacionais
1995 Mesa Redonda: "Quite: This is Design". Conversa entre jovens designers
europeus e estrangeiros. ADI (Associazione per il Disegno Industriale),
Palazzo Reale, Milão, Italia.
Workshops
1996 "O Brasil faz Design". Liceu de Artes e Ofícios da Bahia, Salvador
Principais Exposições Individuais
1989 "Desconfortáveis". A Arquitetura da Luz, São Paulo.
Principais Exposições Coletivas
1989 "From Modernism to Modernity". Furniture of the XX Century, Nova
Iorque, EUA.
Prêmios
1992 Prêmio Aquisição, Museu de Arte Brasileira FAAP (Fundação Armando
Alvares Penteado) São Paulo. Biombo Cerca.
Produtos Industrializados
1997 Luminária Estela fabricada por O Luce, Milão Italia.
Peças em Acervos de Museus e Instituições
Mesa Inflável. Museu de Arte Moderna de Nova Iorque (MOMA),USA.
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Revista "Veja", de 16 de julho de 2003
Maria Helena Estrada
Final de tarde de um frio inverno paulistano. Chegamos
à casa de Humberto Campana onde, em meio a peças de
Noguchi e Bertoia, se espalhavam mesas e cadeiras de
ferro bruto. Cadeiras? Eram peças que não remetiam a
nenhuma referência conhecida e que imediatamente nos
conquistaram, a mim e a designer Adriana Adam -
exatamente por esta razão. Objetos de grande força
expressiva, com forte apelo emocional em sua ostensiva
frieza, eram originais, não repetiam nenhuma fórmula de sucesso, não eram o reflexo
da estética italiana que, na década de 1980, parecia hipnotizar os criadores brasileiros.
A partir de uma escassa bagagem de informações, ou da anulação de qualquer conhecimento,
a criação em Fernando e Humberto Campana se mostrava incontaminada.
A primeira sensação de sentar em uma das cadeiras de ferro, nessa mesma tarde gelada,
deu nome à coleção: Desconfortáveis.
O Brasil, talvez por sua própria exuberância expressiva, costuma ser folclorizado no exterior: país da caipirinha, do carnaval e do biquini, paraíso dos turistas, é também o país das favelas, das crianças de rua, do banditismo e da miséria. Acentuando seus contrastes, é o país do vasto e despovoado "continente" amazônico, e o das megalópoles. São Paulo - cidade onde vivem Fernando e Humberto Campana - assiste, em cada esquina, aos extremos dessa desigualdade cultural, econômica e social. Por outro lado, como cidade cosmopolita é, hoje invadida pelo "made elsewhere", "designed elsewhere". Mas não foi sempre assim. Um rápido histórico do design brasileiro começa nos anos de 1950 -
década de Brasília, da nacionalização da indústria automobilística, da bossa nova na música,
do ufanismo, da esperança - , trazendo um mobiliário de raiz nacional, sempre impulsionado
pela força da nova arquitetura.
No entanto, perseguia-se o ideal de uma nova linguagem, própria e renovadora, que se expressasse com a mesma liberdade e forte identidade da música ou da dança, por exemplo. Um novo projeto, livre e e leve como a nossa cultura, descompromissado de qualquer peso do passado, intuitivo e alegre, como é próprio aos países jovens. A primeira síntese feliz desses ideais está na obra dos irmãos Campana. Um projeto que não parte de conceitos teóricos, mas de um natural espírito de observação, muito pessoal, subjetivo. Fernando, arquiteto, mais familiarizado com o mundo da matéria, e Humberto, dando vazão à sensibilidade, parecendo buscar sua inspiração a partir de outros mundos, mais etéreos. E essa talvez seja a única singularidade entre os dois irmãos que, na obra, se fundem em uma única expressão criativa. Ao longo desses doze anos de atividade, o primeiro impacto na obra de Fernando e Humberto
nos atinge pela simplicidade, pela quase obviedade dos materiais escolhidos. Folhas de
policarbonato e chapas de acrílico obedecem a dobraduras e moldagens, muitas vezes manuais.
Corda, palha de piaçava, mangueiras plásticas, bambu, se entrelaçam ou explodem em formas
exuberantes, como nas cadeiras Jenette e Anemona.
Quando, no final da década de 1990, frente à força do desenho fortemente industrializado,
discutíamos sobre o que parecia ser um caminho sem volta, uma verdade indiscutível, a resposta
de Fernando e Humberto Campana, na contracorrente do melhor design internacional, na verdade
anunciava um novo caminho - que incluía o fazer primordial, o gesto simples, a mão redonda,
dedos ágeis, tecendo novas superfícies e realidades.
"Project 66" - MOMA, New York, 1998 |
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No Tech surge com um curso que teve início de forma despretensiosa, aulas quase sempre ao ar livre, nas escadarias do Museu Brasileiro de Escultura, em São Paulo, com dois "mestres", que se queriam mais interlocutores, ou atiçadores de idéias - Fernando e Humberto Campana - e um grupo de jovens dispostos a fazer design com as mãos. Foi este saber intuitivo que contaminou seus alunos e permitiu que dessas aulas, surgisse uma coleção de objetos com uma linguagem própria, coerentes entre si, expressando uma idêntica intenção. Uma estética brasileira? Talvez, não se inventou nada. A transposição do uso dos materiais é usada por diversos designers, em outros países, o novo é o olhar brasileiro - livre, leve, solto, colorido, delicado e bem humorado. A seguir, alguns dos trabalhos de seus alunos nesta exposição, realizada em julho de 2001, no MUBE, São Paulo.
câmara de pneu de bicicleta Tetê Knecht corda e saco de laranja Mariana Dupas e Rosa Berger (2000) ferro e papel craft Carla Tennembaum
"No Tech", 2001 Carla Tennembaum "No Tech", 2001 | ||||||||||||||