Foto tirada em Santos, em 1910. |
Comemoração dos seus 73 anos. |
Benedicto Calixto de Jesus, emérito pintor paulista, morou por cerca de dez anos em Brotas, cidade situada no centro geográfico do Estado de São Paulo. Nasceu ele na pequena Itanhaém, no litoral sul do Estado, aos 14 de outubro de 1853. Essa cidade, à época um pequenino lugarejo com pouco mais de mil habitantes, nada de melhor oferecia aos jovens do lugar que procuravam trabalho. Porisso, aos dezesseis anos ele vai para a cidade de Santos, já uma cidade grande para a época, onde iniciou-se nas artes pictóricas, pintando tabuletas e anúncios para as casas de comércio locais.
Em 1868 seu irmão mais velho João Pedro, recém formado professor primário, segue para Brotas onde vai assumir sua primeira classe, e fixar residência. Aos poucos seus outros irmãos acabam seguindo-o e também lá fixam residência, pois a cidade em pleno impulso que lhe era dado pela lavoura cafeeira, produto do qual era dos grandes municípios produtores na então província, oferecia inúmeras chances de emprego.
Em 1870 ou 71, o jovem Calixto em visita aos irmãos acaba gostando da cidade
e também fixa residência. Vai morar então na casa do irmão João Pedro, situada em uma esquina da praça
que hoje é denominada "Benedicto Calixto". Como o irmão era o responsável pela conservação da igreja e
das imagens ali existentes, ele tinha um estoque de pincéis e tintas para retoque das mesmas. Calixto, que
já tinha habilidades nesse oficio, a principio ajudava o irmão, mas logo depois acabou ficando com a incumbência.
Tendo esse material à sua disposição, nas horas vagas pintava telas com vistas do local, que oferecia aos amigos.
Entre os primeiros quadros feitos na cidade "Casamento dos Bugres" e "A Saída do Ninho" encontram-se em
mãos de colecionadores na própria cidade. Na época decorou também a sala de jantar da casa do capitão
Joaquim Dias de Almeida com motivos da fauna e flora brasileiras.
Benedicto Calixto em seu estúdio. |
Seu gênio alegre e comunicativo lhe trouxe grandes amizades na cidade. Um desses amigos, era
o coronel Cherubim Vieira de Albuquerque, abastado cafeicultor da
região, que veio a lhe encomendar
diversos quadros. Entre estes, vistas de suas fazendas Paraíso e
Monte Alegre em 1873. Retratou também nessa época o
próprio coronel e sua filha Da. Maria Eugênia de
Albuquerque Pinheiro, quadros que ainda hoje em dia encontram-se na cidade.
"Fazenda Monte Alegre, 1873." |
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"Coronel Cherubim Vieira de Albuquerque" |
"Maria Eugênia de Albuquerque Pinheiro" |
Em 1877 Calixto volta à cidade natal para casar-se com sua prima em terceiro grau Antônia Leopoldina de Araújo. Após o matrimônio, volta com a esposa à Brotas onde residirá até 1881, época em que deixa definitivamente a cidade. Nesse período, sua mulher com problemas na gravidez, perde os três primeiros filhos, e com medo que se repetisse o fato na quarta gravidez, ele a leva para a casa dos sogros em Itanhaém, onde nascerá sua filha Fantina.
Em 1882, após ter efetuado a decoração do Teatro Guarany em Santos, ele recebe uma bolsa de estudos custeada por Nicolau de Campos Vergueiro, o Visconde de Vergueiro. Em 1883 segue para Paris onde aperfeiçoa seus conhecimentos. Na volta ao Brasil em fins de 84, ele vai à Brotas para rever os parentes e amigos. Nessa volta à cidade deu-se um fato curioso: ao rever os quadros pintados anteriormente, ele insistiu com os proprietários para que os mandassem à ele para os retocar com as novas técnicas aprendidas nas academias francesas. Mas para sua contrariedade nenhum deles permitiu que os quadros fossem modificados, ficando os mesmos do jeito que haviam sido pintados anteriormente.
Em 1897 fixa residência em São Vicente SP, onde ficou e trabalhou por trinta anos, até seu falecimento em 1927.
Em 1919 em passagem por Brotas, pintou ali o "Salto de Brotas", quadro ainda existente na cidade.
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Aos 14 de outubro de 1927 na casa de seu filho Sizenando, onde ele havia ido para comprar material de pintura, acometido de um ataque cardíaco, ele falece, sendo seu corpo transladado para a cidade de Santos, onde foi sepultado em jazigo perpétuo oferecido pela municipalidade.
Sua obra total é estimada em cerca de setecentos quadros (quinhentos catalogados), espalhados por museus,
igrejas, repartições públicas e colecionadores particulares. No Museu do Ipiranga em São Paulo encontram-se
suas maiores obras: "Fundação de São Vicente", "Inundação da Várzea do Carmo", "Domingos Jorge
Velho", "Padre Anchieta", "D.Pedro I", "José Bonifácio", "Padre Bartolomeu de Gusmão", e diversas
vistas do centro de S. Paulo em 1860, baseadas em fotos de Augusto Militão. Na sede da prefeitura de São Paulo
está a "Proclamação da República". Também existem quadros seus nas prefeituras e câmaras municipais
de Santos e São Vicente; na Bolsa do Café de Santos; no Palácio dos Bandeirantes, no Museu de Arte
Sacra e na Pinacoteca do Estado em SP; no Museu Naval e Palácio da Conceição no Rio de Janeiro; na
prefeitura de Belém do Pará. Foi também um grande pintor de motivos religiosos. Suas pinturas ornam as igrejas
da Consolação, Santa Ifigênia, e Santa Cecilia em São Paulo; Catedral de Santos, matrizes de Ribeirão
Preto, Catanduva, Bocaina, e Amparo; no Palácio Episcopal de São Carlos, e no Convento da Penha
no Espírito Santo. Foi ainda historiador com diversos livros publicados e sócio-colaborador do Instituto Histórico e
Geográfico do Estado de São Paulo. Foi ainda professor (de artes), astrônomo e músico amador.
A Igreja Matriz de São João Batista de Bocaina, idealizada pelo Padre Curia, foi construída entre 1907 e 1910, tendo sido inaugurada em junho desse último ano. Exemplo do gosto eclético predominante no país em começos do Século XX, já em 1923 seu interior passaria por uma reforma, da qual se desincumbiu o arquiteto Sizenando Calixto, filho do pintor Benedicto Calixto de Jesus. Esse, a convite do Vigário, Padre Soares, começou no mesmo ano de 1923 a executar uma série de 13 painéis de carater religioso, destinados a ornar as paredes e o teto do templo. Pintou-os parte em São Vicente, parte em Itanhaem, dando por concluído seu trabalho em junho de 1925. Dos diversos painéis, três eram considerados pelo próprio Calixto como das melhores obras que realizou no gênero: "Discípulos de Emaús", "Anunciação de Nossa Senhora", e "Salomé recebendo a cabeça de São João Batista".
Fachada da Igreja Matriz de Bocaina,SP |
Planta baixa da Matriz, com a localização dos 13 painéis. |
Painel 1 - "Salomé recebe a cabeça de São João Batista" 230x175 cm - (1924) |
Painel 2 - "Maria e Isabel" 230x130 cm - (1925) |
Painel 3 - "Assunção de Nossa Senhora" 230x195 cm - (1925) |
Painel 4 - Anunciação de Nossa Senhora" 230x183 cm - (1924) |
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Painel 6 - "Discipulos de Emaús" 230x185 cm - (1925) |
Painel 7 - "Transfiguração" 230x195 cm - (1925) |
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Painel 10 - "Cristo no Monte das Oliveiras" 230x195 cm - (1925) |
Painel 11 - "Aparição do Anjo a Zacarias" 230x130 cm - (1924/25) |
Painel 12 - "S.João Baptista com Herodes" 230x170 cm - (1924) |
Painel 13 - "Batismo de Cristo" 300x150 cm - (1924) |
"Quadro de Dom Pedro I, no Museu do Ipiranga". |
Pintura de Martim Afonso de Souza Primeiro colonizador do Brasil. |
De seus irmãos que residiram em Brotas, quatro lá casaram e constituíram família: Antônio Pedro de Jesus casou-se com Francisca Lopes; Joaquim Pedro casou-se com Maria de Oliveira; Maria Isabel casou-se com Abrahão Miller e Isabel Maria casou-se com Antônio Paulino dos Santos. João Pedro, o mais velho, foi o primeiro a sair da cidade, mudando-se no fim dos anos oitenta para a cidade de Bebedouro. Seu irmão Antônio Pedro, também professor, era além disso músico, tendo participado ali de orquestras e conjuntos musicais. Ele saiu da cidade nos anos noventa. Já o seu irmão Joaquim Pedro ficou por mais tempo na cidade, tendo sido secretário da prefeitura. Suas duas irmãs continuaram na cidade onde tiveram descendentes.
Relato feito por Gilberto Rios (bisneto do pintor)
Julho/98
e
http://imagensdesaopaulo.v10.com.br - Site com 144 anos de fotografias da cidade de São Paulo.
"Banca de Peixe e Mercado das Canoas" |
"Baia de São Vicente" |
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Os quadros, cujas reproduções coloridas são mostradas acima, são assim descritos:
"Banca de Peixe e Mercado das Canoas"- É um quadro óleo-sobre-tela, com 45x70 cm., datado de 1887 e retrata o Mercado Municipal de Santos, à época. Pertence ao acervo da Fundação Benedicto Calixto, de Santos.
"Baia de São Vicente"- É uma "marinha", óleo-sobre-tela, de 1911, com 42x72 cm., e retrata este local na cidade de São Vicente, à época. Pertence ao acervo da Pinacoteca do Estado de São Paulo.
"Praia do Consulado, Porto de Santos 1822"- Quadro óleo-sobre-tela, sem data, com 54x96 cm., e pertence ao acervo da Fundação Benedicto Calixto, em Santos.
"Auto-retrato"- Pintado em 1923, pertence ao MASP, em São Paulo.
Contribuições por meio de fotos, dados e outras informações a respeito de Benedicto Calixto, que possam enriquecer este trabalho serão muito bem-vindas!